terça-feira, 17 de abril de 2012

Resenha: Não Conte a Ninguém

Capa
Editora: Arqueiro
Autor: Harlan Coben
Origem: Americana
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 256
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
Onde comprar? Submarino ; Saraiva ; Livraria Cultura
Skoob
Sinopse: David Beck e sua esposa Elizabeth comemoram o aniversário de seu primeiro beijo quando uma tragédia interrompe o clima de romance: Elizabeth é brutalmente assassinada. O caso acaba sendo resolvido e o assassino, condenado. No entanto, David não consegue superar a morte de Elizabeth. Depois de oito anos, ainda se lembra de todos os detalhes. Mas é no dia do aniversário de morte de Elizabeth que a história realmente começa. Uma estranha mensagem aparece no computador de David, uma frase que somente ele e a esposa conhecem.



Análise

“Parecia um sussurro sombrio ao vento. Ou talvez um frio na espinha. Alguma coisa. Uma canção etérea que apenas Elizabeth e eu podíamos ouvir. Uma tensão no ar. Alguma premonição. Existem desgraças que quase esperamos na vida – o que aconteceu com meus pais, por exemplo – e existem momentos sombrios, momentos de súbita vidência, que mudam tudo. Havia a minha vida antes da tragédia. Existe a minha vida agora. As duas têm dolorosamente pouco em comum.”
—Pág. 7

Confesso que acredito que há livros de qualidades tão altas que é um pouco difícil tecer comentários sobre eles sem ficar a todo instante pensando “Será que estou conseguindo mesmo mostrar toda a fascinação que tive com esta leitura?”, o último livro em que me senti assim foi “A Guerra dos Tronos: As Crônicas de Gelo e Fogo - Livro I”.
O motivo pelo qual estou calculando milimetricamente as minhas palavras nesta resenha é que achei a história desse livro excelente e sendo de um gênero que amo (suspense) fiquei ainda mais absorvido por suas páginas. “Não Conte a Ninguém” foi uma leitura de me fazer arrancar os cabelos e tomar muitos copos de café para ficar acordado um pouco mais. Então, vou lhes dizer os motivos pelo qual este livro ganhou o meu coração de leitor.
A obra começa sem rodeios e em uma cena narrada por David Beck, um pediatra com uma excelente carreira, somos avisados sobre um vaticínio negro que pareceu se formar ao redor de David e sua esposa em um dia especial, este magnifico suspense em sua primeira página já nos joga em um contexto de roer as unhas e infelizmente já sabemos que o pior está para acontecer. Contudo do mesmo jeito em que esta primeira página parece desprovida de mistério, uma vez que o destino de uma das personagens já é anunciado sem rodeios, este ocorrido se prova com mais detalhes do que um olhar rápido é capaz de captar e isso se torna o tiro de largada da trama.
Mesmo depois de oito anos da morte de Elizabeth, David se mantém preso à uma semivida e dedica-se ao trabalho na maior parte de seu tempo como uma tentativa de superar a morte que, segundo sente em sua própria pele, parece ser um peso que carregará pelo resto de sua existência, apesar de possuir em seu coração ferida aberta sempre busca manter a aparência de um homem bem consigo mesmo para todos ao seu redor. Entretanto Shauna, companheira de sua irmã (Linda), uma amiga que tinha em comum com Elizabeth e que conhece desde os tempos de colégio, sabe do sofrimento que ele suprime e tenta ajudá-lo sempre com um excelente bom humor.
O humor é inclusive uma característica que marca algumas passagens do livro, todavia o humor de Harlan Coben não é baseado em risadas forçadas ou piadas inapropriadas que atrapalham o desenvolvimento da história, mas em uma acidez genial. Obviamente há instantes que o humor não é em tom de crítica, mas serve para aliviar a tensão do enredo e até mesmo age com uma ferramenta para manipular a atenção do leitor, assim como um ilusionista usa de seus conhecimentos para direcionar a visão do espectador para um caminho, enquanto prepara o grande truque em outro ponto. Garanto-lhes, muitos coelhos são tirados da cartola por Harlan Coben.

“[...] A mídia, uma entidade cuja atenção coletiva parece a de uma criança de 2 anos, imediatamente se concentrou nesse novo brinquedo reluzente, chutando o antigo para debaixo da cama.”
—Pág. 211.
Em “Não Conte a Ninguém” o passado é como um fantasma que se recusa a realizar a passagem para o outro lado e como se isso não fosse incômodo suficiente ainda se diverte atormentando os vivos, nesse caso principalmente o Dr. David Beck que quando achava que estava conseguindo continuar com a vida é arremessado como uma bola de tênis para um lado da quadra escuro, onde segredos espreitam e ele terá de reabrir a ferida que já estava se fechando para tentar esclarecer de uma vez por todas os elementos que cercam os eventos de oito anos atrás.
Como era de se esperar uma série de incoerências na investigação realizada há oito anos começam a surgir conforme David busca a verdade que talvez nem seja tão reconfortante assim, afinal a verdade pode libertar, mas não necessariamente é doce ou agradável. A narração em capítulos pequenos deixa a história no ritmo de um suspense perfeito, sem acelerar desenfreadamente como se fosse um filme de ação ou cair em letargia, o que poderia acontecer em capítulos mais longos e com informações que desviassem demais do cerne do mistério.
A variedade de personagens no livro é maravilhoso e isto torna o texto extremamente rico, pois temos a oportunidade de dialogar com indivíduos dos mais variados gênios, como: Larry Gandle (o típico capataz de mafioso mal encarado), Eric Wu (um exímio assassino de pouquíssimas palavras com um passado tenebroso), Hoyt Parker (ex-membro do FBI e pai de Elizabeth), Nick Carlos e Tom Stone (agentes do FBI que querer descobrir a verdade a todo custo, mesmo que para isso algumas evidências sejam ignoradas), Tyrese Barton (um traficante de drogas que possui uma divida com David por ele ter salvo o seu filho) e inúmeros outros personagens.
Harlan Coben também foge do óbvio quando o assunto é a maneira de abordar cada personagem, por exemplo: Tyrese, apesar de ser um traficante de drogas, possui um forte código de honra que norteia todas as suas ações, o que o transforma em uma versão moderna d’O Poderoso Chefão, obviamente sem tanto peso na obra, mas ainda assim um anti-herói cativante, com direito até mesmo a alguns pensamentos interessantíssimos!
A paranoia também permeia o enredo e motiva uma movimentação constante de David e questionamentos a todo o momento. Isso nos mergulha numa leitura voraz, cheia de adrenalina, pois realmente incorporamos o ritmo da narração em nossa leitura.

“Aprendi que o fato de você não conseguir ver nenhuma outra explicação não significa que ela não exista. Significa apenas que você não consegue enxerga-la.”
—Pág. 208, personagem Shauna.

Quando todas incógnitas parecem estar se resolvendo e faltam poucas páginas para concluirmos esta jornada somos surpreendidos com uma reviravolta que nos tira da tranquilidade. A conclusão deste último instante de corrida com pouco fôlego, com nosso pulmões quase explodindo devido ao esforço, do livro é surpreendente e como se não bastasse o autor ainda nos concede um último choque diante de uma revelação que literalmente acontece na última página! Esta é uma história de suspense escrita como um grande pintor cria a sua obra-prima, ou seja, com precisão de mestre! Não é à toa que Harlan Coben está fazendo tamanho sucesso! Recomendo este livro, ainda mais para quem adorar o gênero como eu. Até outro momento.

3 comentários:

  1. Matheus Evangelista17 de abril de 2012 13:00

    Parece ótimo, nunca li um livro de Harlan Coben, mas adoro suspense. Mais um para minha lista ^^

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    1. Sim, é muito bom este livro! Esse foi o primeiro livro do Harlan Coben que li, mas já posso atestar sua qualidade.

      Abraços!

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  2. Muito bom mesmo este livro !
    Vale a pena ler.

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